Em meio à dor pela perda do pai, um filho foi protagonista de uma cena lastimável nesta quarta-feira (19), em Barra de São Francisco, na região Noroeste do Espírito Santo. Com as próprias mãos, Waltair Araujo teve que preparar a cova onde o pai seria sepultado, já que o cemitério localizado no distrito Vila Santo Antônio está sem coveiro.
Sozinhos, os familiares do falecido Rubens Florentino de Araujo, 73 anos, colocaram o caixão na cova e depois cobriram com terra.
De acordo com a filha Flaviana Florentina de Araújo, 38 anos, o pai lutava contra um câncer e faleceu na terça-feira (18), no Hospital Dra. Rita de Cássia, por insuficiência respiratória causada por uma pneumonia.

“Meu irmão e meu cunhado que tiveram que fazer a cova, e, no momento do sepultamento, meu irmãos e o sobrinho tiveram que descer com caixão e ainda tapar o buraco. É revoltante porque a gente está sofrendo uma perda grande que é o nosso pai e a família se sentiu desprezada pela autoridade e pelo município. É um momento de dor muito grande e uma falta de respeito porque foi difícil para fazermos isso. Jogar terra sobre uma pessoa que a gente ama, a dor se torna maior. Meu irmão mais velho passou mal. É uma dor que eu não desejo para ninguém. Não temos como expressar em palavras”, disse.

Ainda de acordo com a filha, a família não procurou a prefeitura porque não conseguiu contato com nenhum representante responsável. “Não tinha nenhum funcionário ou coveiro no cemitério. Já ouvi casos de outras pessoas que também precisaram fazer o sepultamento de familiares por falta de profissionais. A cidade está jogada às traças”, finalizou.
O caso ganhou repercussão na cidade após entrevista da família cedida ao locutor Elias Faé, da Jovem Barra, que foi publicada no Site Barra.
OUTRO LADO
Acionada pela reportagem, a Prefeitura de Barra de São Francisco informou que o funcionário que prestava serviço no distrito de Patrimônio Santo Antônio (Tatu) na abertura de covas foi picado por uma cobra e precisou ser afastado do serviço, uma vez que, por ser diabético, o quadro de saúde dele se agravou.
Além disso, informou que, quando há a necessidade de abrir uma cova no interior, a família tem que entrar em contato com a Secretaria de Serviços para que o sub-secretário ou alguém no setor envie com a máxima urgência um funcionário para se deslocar ao interior e executar o serviço. “Não há e nunca houve coveiro específico para atuar em todos os cemitérios interior”, afirmou a prefeitura.
As linhas telefônicas do município estão passando por manutenção desde o início do ano, o que dificulta o contato temporariamente. Para solicitar o serviço, familiares devem ir à prefeitura ou enviar um e-mail através do endereço [email protected] ou pelo telefone da recepção da prefeitura por meio do (27) 3756-8000.