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Deputados eleitos que têm base no interior são minoria na Ales


Dos 30 deputados estaduais eleitos, 12 têm base eleitoral no interior. Os números são contrastantes porque, apesar de serem minoria na próxima legislatura, representam uma região maior demograficamente e que, embora espaçada, reúne a maior parte dos eleitores, ou 53% deles: 1.534.570. Por outro lado, 18 dos eleitos para a próxima legislatura têm base na Grande Vitória, que concentra 47% do eleitorado (1.384.061).

Com reduto eleitoral em São Gabriel da Palha, a deputada Raquel Lessa (PP) renovou seu mandato e herdou a representação dos capixabas mais ao norte do estado. Próximos a essa região venceram o pleito dois estreantes de Colatina: Lucas Polese (PL) e Sérgio Meneguelli (Republicanos), ex-prefeito. Há ainda Dary Pagung (PSB), de Baixo Guandu, reeleito.

A região do Rio Doce terá dois novos nomes no Legislativo: Lucas Scaramussa (Podemos), de Linhares, e Alcântaro (Republicanos), ex-vereador de Aracruz. Da região serrana continua para o segundo mandato Adilson Espindula (PDT) – antes de ser deputado, em 2019, havia exercido o cargo eletivo de vereador em Santa Maria de Jetibá.

A Região Sul terá cinco representantes na legislatura 2023-2027. Quatro são de Cachoeiro de Itapemirim, como o veterano Theodorico Ferraço (PP), e os estreantes Callegari (PL), Allan Ferreira (Podemos) e Dr. Bruno Resende (União). Ex-prefeito de Iúna, Coronel Weliton (PTB), terá seu primeiro mandato empunhando a bandeira do Caparaó na Assembleia Legislativa (Ales).

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Desproporção x concentração

Deputados consideram que o interior deveria contar com mais membros no Legislativo. É o caso de Allan Ferreira, que prega o equilíbrio de forças interioranas e metropolitanas. Ele lembra que o sul, por exemplo, manteve o mesmo número de parlamentares na Casa, ao passo que Ferraço pondera o aumento de deputados de Cachoeiro (de dois passou para quatro).

Mas Alcântaro destaca o que chama de “distorções” no sistema eleitoral. “Os maiores redutos eleitorais no interior são distantes um do outro e há ainda um número maior de candidatos na Grande Vitória, já que as direções partidárias regionais e os partidos estão concentrados nessa região”. “Somos poucos deputados do interior, mas com muito trabalho vamos compensar essa desvantagem e fazer a diferença”, projeta.

O futuro colega de plenário, Dr. Bruno Resende, completa a análise. “Historicamente a representatividade tem sido bem diferente entre as regiões, com uma maior concentração de eleitos na Região Metropolitana”, analisa. “É importante ampliarmos a representatividade no interior”, alude o médico, que vê nesse movimento uma maneira de descentralizar os investimentos.

Na visão de Lucas Scaramussa os eleitores estão à procura de representantes mais próximos, “não só em termos de ideias e pensamentos”, mas também “alguém que, de alguma maneira, irá buscar benefícios e lutar por demandas locais”.

Raquel Lessa e Coronel Weliton também reconhecem o impacto da densidade eleitoral nesse contexto, além disso, o militar prevê que a região do interior estará bem caracterizada na Ales. “Os eleitos pelo interior representam um maior número de Municípios, instituições, diversidades e, principalmente, a busca da solução de problemas peculiares e comuns”.
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Para Callegari há um “domínio político e cultural da cidade sobre o campo que se reflete nas escolhas políticas dos eleitores” e emenda: “Sofremos hoje com problemas que no passado eram identificados como ‘urbanos’ como, por exemplo, drogas e violência. A questão não é tanto se o interior precisa de mais deputados. Mas com certeza de deputados mais atuantes”, ressalva.

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Na mesma toada, Dary Pagung argumenta sobre a dinâmica do mandato. “Haverá parlamentares eleitos, que inicialmente se identificavam com a Grande Vitória e ao longo dos quatros anos redirecionam sua atividade parlamentar para municípios e regiões do interior, e vice-versa”.

Infraestrutura e logística

De modo geral os problemas enfrentados pelo interior são parecidos e considerados maiores quando comparados à Grande Vitória. “As demandas das comunidades do interior são extremamente maiores em relação à capital”, assevera Weliton. “Temos problemas comuns no Espírito Santo em todas as áreas”, complementa Alcântaro. Há cobrança para que os investimentos sejam ampliados.

Deputados do sul, notadamente de Cachoeiro de Itapemirim, são unânimes ao alertar sobre a estagnação econômica local. Ferraço, Allan Ferreira e Dr. Bruno Resende defendem que o Executivo estadual crie um mecanismo nos moldes de funcionamento da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), só que voltado para os municípios locais.

Autarquia do governo federal, a Sudene foi criada originalmente para incentivar a economia de estados do Nordeste, mas passou a incluir cidades do norte do ES. “Ficamos parados no tempo, sem crescimento”, desabafa Allan Ferreira, que prega a diversificação da matriz produtiva, há anos ancorada nas atividades de extração de rochas ornamentais, agricultura e laticínio.

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“Em se tratando de regiões, ao analisar a presença do Estado e os investimentos, temos a certeza do abandono da região sul e serrana. Todos pagam seus impostos para que o Estado proporcione investimentos, melhorias na qualidade de vida, prestação de serviço com qualidade e incentivo a todos municípios de forma equitativa”, objeta Coronel Weliton.

De norte a sul, espera-se que os investimentos em infraestrutura e logística sejam destravados e acelerados. “As demandas do interior são bem maiores que as demandas da Região Metropolitana, em especial, no que tange à infraestrutura das nossas estradas, com asfaltamento e calçamento rural”, aponta Adilson Espindula.

Para o representante da serra capixaba, os maiores desafios são ampliar os investimentos na infraestrutura viária, a fim de promover melhor escoamento da produção agrícola, e melhorar o acesso a equipamentos agrícolas para homens do campo, geralmente pequenos produtores familiares.

Alcântaro chama a atenção para investimentos em mobilidade e infraestrutura para escoar riquezas produzidas internamente no Espírito Santo. “É urgente destravarmos os gargalos que dificultam a economia do interior, como a duplicação da BR-101 e 262, a viabilização de novos ramais ferroviários e um grande projeto de reforma e ampliação das rodovias estaduais”.

Segundo o representante de Aracruz, “não é possível mais o acesso à Suzano e Jurong por uma rodovia litorânea ultrapassada, com problemas eternos de manutenção, além da duplicação da BR-101 para integrar com eficiência toda a nossa região com o restante do estado. Precisamos de um salto em mobilidade e infraestrutura”.

Lucas Scaramussa faz uma análise parecida. “Linhares e região têm crescido bastante, a população, a economia e, consequentemente, a ocupação do solo. Isso demanda um projeto de infraestrutura maior, ampliação das estradas, a restauração das que já existem, além dos projetos que precisam ser discutidos no âmbito federal, que é o caso da duplicação da BR-101 na região norte e que terá um grande impacto positivo para as cidades próximas”.